A hepatite C é uma doença viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). A hepatite C exige cuidados, devido à inexistência de vacina e limitações do tratamento, e à sua alta tendência para a cronicidade que complica eventualmente em cirrose hepática.
Vírus da hepatite C (VHC)
- Grupo: Grupo IV ((+)ssRNA)
- Família: Flaviviridae
- Género: Hepacivirus
- Espécie: Vírus da hepatite C
O vírus da hepatite C é um RNA-vírus flavivirus, um dos poucos dessa família (que inclui os vírus da dengue, febre amarela e Nilo ocidental) que não é transmitido por artrópodes. Este vírus tem um genoma de RNA simples de sentido positivo (é usado diretamente como mRNA na síntese protéica). Há vários genótipos (variações) deste vírus, sendo 6 as mais importantes (1 a 6), sendo que estes estão subdivididos em mais de 50 subtipos (1a, 1b, 2a, etc). Os genótipos chegam a apresentar 30 a 50% de diferença no seu RNA. Esta divisão é importante porque cada subtipo tem características próprias de agressividade e resposta ao tratamento.
Reproduz-se no citoplasma e retículo endoplasmático, produzindo dez proteínas virais. Algumas destas proteínas inibem a apoptose (morte programada) da célula e outras inibem a ação do interferon. Tem envelope bilipídico e portanto não sobrevive a condições secas.
O vírus tem uma preferência forte (tropismo), em infectar os hepatócitos do fígado. Os sintomas da hepatite são pelo menos tanto devido à ação necessária do sistema imunitário como aos danos causados pelo vírus.
A hepatite C é atualmente a principal causa de transplante hepático em países desenvolvidos e responsável por 60% das hepatopatias crônicas.
Transmissão
Até o início da década de 1990, muitas pessoas eram contaminadas por transfusão sanguínea (80-90%), mas a partir da década de 1990 foram incorporados à rotina dos Hemocentros testes para detecção de HCV (anti-HCV). Hoje em dia a legislação vigente para os Hemocentros preconiza testes que são obrigatórios, antes de toda e qualquer transfusão sanguínea. Esses testes permitem resultados fidedignos que nos garantem transfusões 100% seguras. Mas pode também ocorrer de forma vertical (4%) ou de outras formas (troca de agulhas infectadas, piercings e tatuagens em estabelecimentos que não esterilizam cuidadosamente todos os materiais). Há relatos recentes que mostram a presença do vírus em outras secreções (leite, saliva, urina e esperma), mas a quantidade do vírus parece ser pequena demais para causar infecção e não há dados que sugiram transmissão por essas vias. O que é chamado de carga viral que no caso das secreções como a exemplo do leite ou do esperma não são suficientes para contaminação, confirmados em todos pacientes em estudos. Os grupos de maior risco de agravar a doença que podem ser incluidos são pacientes em tratamento de hemodiálise ou pacientes com outras doenças como HIV positivo e outros casos de hepatites e os trabalhadores da área de saúde que trabalhem diretamente com sangue de pacientes e materiais contaminados como nos casos dos usuários de drogas de aplicação endovenosas(pela troca de seringas com ou sem agulhas que estejam contaminadas).
Estudos recentes apontam que ainda em 2010, 40% dos eventos de transmissão de Hepatite C não têm causa definida. Através de mapeamentos genéticos do vírus verificou-se que a variante 1b do vírus, mais antiga, e associada a transfusões de sangue antes dos testes obrigatórios dos bancos de sangue está perdendo força; em seu lugar as variantes 1a e 3b estão crescendo principalmente entre jovens.
Tratamento
Hoje existe tratamento para a hepatite C. Embora ainda não se possa falar de cura definitiva (há necessidade de esperar pelos resultados finais dos estudos observacionais de longa duração em curso) as taxas de resposta mantida variam entre os 50 e os 60% de todos os doentes tratados.
O tratamento consiste numa injeção semanal de Interferon Peguilado junto com 4 a 6 comprimidos diários de Ribavirina. A taxa de resposta ao tratamento varia de acordo com o genótipo do vírus (1, 2, 3, 4, 5 e 6). A taxa de resposta pode variar entre 54 e 63% no caso do genótipo 1 (o mais frequente em Portugal) e 4, mais de 75% para o genótipo 3 (o mais frequente em Toxicodependentes intravenosos), e 80 a 95% dos casos para o genótipo 2. O tratamento dura entre 24 semanas (genótipo 2 e 3) e 48 semanas (genótipo 1 e 4). Estudos recentes levados a cabo indicam ser possível tratar os doentes genótipo 1 e 4 com baixas cargas virais em apenas 24 semanas e entre 12 a 16 semanas os doentes genótipo 2 e 3 caso consigam negativar a viremia a partir da semana 4 de tratamento, mas que ainda carecem de validação de estudos clínicos com um número maior de doentes.
No caso de evolução para cirrose hepática o único tratamento possível é o transplante de fígado.
Prevenção
A incidência de hepatite C pôde ser reduzida pelo rastreamento adequado de doadores de sangue nas últimas décadas. Hoje, apenas 5% dos novos casos são adquiridos dessa forma. Hoje, a melhor forma de prevenção reside no combate ao uso de drogas endovenosas. Há evidências de que o tratamento da hepatite C reduz o risco de surgimento do hepatocarcinoma.
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